
Breda Marques encontrava-se refastelado numa cadeira da esplanada do “Deza 9 Café”, na Mealhada, à sua frente João Pires bebericava uma imperial e trincava, freneticamente, uns tremoços…parecia nervoso.
- Não posso fazer isso, não me parece que as pessoas vão entender.
- Ande lá Dr. - insistia Breda Marques – é a única solução que temos.
O antigo candidato do PSD à Câmara Municipal tentava explicar ao amigo e companheiro, de lutas recentes, que o caminho a seguir era a colagem ao PS…
- Repare que no PSD já não temos hipóteses, correu-nos tudo mal.
- A culpa foi sua, eu apenas fiz o que você me disse para fazer…
- Está bem, mas isso agora já não interessa – retorquia Breda – temos é que salvaguardar o nosso futuro.
João Pires levantou-se, visivelmente irritado, e pontapeou a cadeira.
O empregado de mesa, sorrateiramente, abandonou o local e agachou-se atrás do balcão.
- Você disse que tínhamos que pôr o Carlos Marques a andar e eu fiz o que você me mandou; disse que nos tínhamos que colar ao Carvalheira e eu fiz o que você me mandou; disse que tinha que me disponibilizar para ser candidato à Câmara e eu fiz o que você me mandou; você disse para eu suspender o mandato de vereador e eu fiz o que você me mandou, nunca mais apareci…e agora estou nesta situação.
- Tenha calma Dr. tudo se vai resolver; fique descansado que você não vai dar aulas até ao fim dos seus dias nem eu ficarei nos alumínios a vida toda.
O Dr. Rui Marqueiro está a congeminar uma coisa em grande e temos que nos colar a ele…
- E se volta a correr mal? – Indagava João Pires.
- Não se esqueça que toda a gente nos culpa pela situação do PSD actual…
Breda Marques engoliu um tremoço que retirara do pires, sem ter tempo de o mastigar; engasgou-se e esteve perto de trinta segundos a tossir.
- Você pensa que não me custou votar a favor do Orçamento de 2009 e que não me custa andar a gabar as medidas do Cabral…- Vociferou Breda Marques.
Temos que parecer “cristãos novos” do PS e depois saltamos para a equipa do Marqueiro; não vai parecer tão mal aos olhos de todos. - Asseverava Breda.
- Não sei, não sei…
Pires acabou a imperial e Breda Marques pediu mais uma Coca-cola.
Entretanto o empregado de mesa fez umas chamadas do local onde se encontrava:
Marqueiro tinha o telemóvel no silêncio, não ouviu;
Carvalheira tinha trocado de telemóvel há pouco tempo e não atendeu porque não sabia qual era a tecla;
Carlos Marques atendeu:
- Sim?
- Quero-lhe dar uma informação confidencial…- tremia o empregado de mesa – não me pergunte quem sou…
- Diga. – Respondeu Carlos Marques.
- O Breda Marques e o João Pires estão aqui perto a conspirar e a falar de si…
- O César Carvalheira também está? – Questionou Marques.
- Não, esse não está.
- E o João Peres?
- Também não.
O empregado de mesa já não estava a perceber nada…
Olhe…está algum puto novo da JSD com eles?
- Não, estão sozinhos.
Posso fazer-lhe uma pergunta? – Rematou Carlos Marques.
- Sim, diga.
O empregado estava sem saber o que pensar ou dizer…
- Porque foi que me ligou?
Entretanto, na esplanada, Breda Marques pegou na fita métrica e João Pires nas folhas da avaliação do desempenho e levantaram-se.
Saíram cabisbaixos e esqueceram-se de pagar…
O empregado de mesa não fez caso.