
Na última Assembleia Municipal, a 13 Junho 08, António Miguel Ferreira, eleito pelo PSD àquele órgão, levantou suspeitas que encerram uma gravidade extrema.
Afirmou que o têm abordado no sentido de a Câmara Municipal de Mealhada privilegiar a contratação de pessoas com afinidades, directas ou indirectas, ao Partido Socialista.
Os episódios reportar-se-ão a irregularidades nos concursos de admissão de trabalhadores em função de conotações familiares e profissionais com dirigentes Socialistas.
Considerou o Município como pessoa de bem e referiu não poder pactuar com meras insinuações, mas não se coibiu de solicitar, em tom intimidatório, a listagem de pessoal contratado a termo, a prazo e as avenças desde 2005.
Finalizou, aludindo ao prestígio e à credibilidade do Executivo Municipal e à necessidade de os preservar “intocáveis”.
Entendo que o Deputado Municipal agiu mal.
Se sob ponto de vista substancial poderia angariar um capital de queixa relativamente à gestão Socialista, sob ponto de vista formal deitou tudo a perder.
Referiu não pactuar com meras insinuações e estar preocupado com a honorabilidade da Câmara Municipal enquanto pessoa de bem, mas difundiu-as e “beliscou-a” de forma clara sem uma base de sustentação sólida e inequívoca.
E em plena sessão da Assembleia Municipal.
António Miguel Ferreira “ancorou-se” no “diz que disse” e esqueceu-se de um argumentário sólido e insuspeito que, habitualmente, provém da prova.
Para um advogado é um erro de palmatória e denota uma pueril e comprometedora forma de estar na política.
Mas o mais grave é que Miguel Ferreira colou o PSD à sua atitude, ficando os dois bastante mal “na fotografia”.
A honorabilidade e a isenção não se provam, constroem-se.
Ao invés, as acusações necessitam de bases sólidas de sustentação.